sexta-feira, 2 de março de 2018

Lula declara: 'não tenho medo da prisão, sou inocente'

Foto: AFP

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que a ideia de ser preso "passa todos os dias" por sua cabeça, mas garantiu não ter medo por ser inocente.
Em entrevista exclusiva à AFP na tarde desta quinta-feira (1), Lula reafirmou o desejo de concorrer às eleições presidenciais de outubro e ainda garantiu ganhar no primeiro turno.
O ex-presidente foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Ele garante, entretanto, que todas as acusações foram montadas para desmoralizar sua candidatura e impedir a volta do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder.
Atualmente, ele tenta conseguir um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para impedir sua prisão quando se esgotarem seus recursos no TRF-4. Contudo, a Justiça eleitoral ainda pode torná-lo inelegível.
Durante uma hora e meia de entrevista, realizada no Instituto Lula, em São Paulo, ele descartou, no entanto, criar tensões eleitorais.
"Vamos disputar democraticamente a eleição. Esse país não tem a cultura da violência no processo eleitoral", disse.
P: Não há risco de ter uma campanha mais focada em seus problemas judiciais que nos do Brasil?
R: Eu na verdade não discuto o problema judiciário. Eu tenho consciência do que está acontecendo no Brasil, que os meus adversários e uma grande parte da elite econômica brasileira não querem que eu seja candidato à Presidência da República, e a única forma que eles encontraram para evitar que eu seja candidato foi uma quantidade de mentiras, uma quantidade de inverdades, ou seja, quase que um crime contra nossa própria Constituição. Eu tenho desafiado a Polícia Federal, o Ministério Público, o juiz a provar um crime que eu tenha cometido.
P: O senhor tem alto índice de rejeição e a maior intenção de voto. Não acha que seria o momento de abrir espaço a um candidato que gere menos polarização?
R: Não existe país que não seja polarizado (...) Nenhum partido vai ganhar com 80% (...) Toda eleição, na verdade, ela mostra uma divisão num país. Agora, o que é importante é que um governante que ganha e os políticos que perdem precisam perceber que, terminadas as eleições, acabada a disputa eleitoral, você tem que governar. Não vejo problema de polarização, ela existe na sociedade, no futebol, na religião, na política, na cultura. Não podemos temer da polarização.
- 'Não vou me matar' -
P: Passa pela cabeça do senhor que poderia ir preso? Como lida com isso? Já pensou como seria um Lula na cadeia?
R: Passa todo dia. Eu não tenho problema. O problema é que eu não tenho medo e não estou preocupado. (...) Toda história tem consequências. Uma prisão pode durar muito tempo, como a de (Nelson) Mandela, que durou 27 anos, ou pode durar muito pouco tempo, como a de (Mahatma) Gandhi.
A única preocupação que eu tenho nesse momento é tentar mostrar minha inocência. Se eles resolverem me condenar e me prender, eles estarão condenando um inocente, prendendo um inocente. Isso tem um preço histórico. Se querem tomar essa decisão, vão arcar com a responsabilidade do que vai acontecer no país. Por isso é que eu durmo tranquilo.
Não vou para nenhuma embaixada, não peço asilo político, não vou me esconder, não vou me matar. Eu vou brigar. A única coisa que me motiva é brigar, porque eu tenho uma única coisa para defender, que é minha inocência. Eu estou disposto a ir às últimas consequências para provar minha inocência.
P: E isso significa ir até o último momento da campanha eleitoral...?
R: Lógico, lógico, por que é que não iria? Está cheio de pessoas que não têm 1% de aceitação e querem ser candidatos, porque é que eu que tenho 40% não quero ser?
com informações de yahoonotícias