terça-feira, 3 de julho de 2018

Resgate de meninos de caverna na Tailândia pode levar semanas

Militares tailandeses reúnem suprimentos para os meninos presos na caverna
Foto: Divulgação / Exército da Tailândia
Passado o momento da celebração da vida, agora é hora de pensar nos próximos passos de um resgate que ainda promete ser dramatico. Encontrar os 12 meninos e seu técnico de futebol vivos depois de 10 dias a 500 metros abaixo da terra em uma caverna inundada foi o primeiro grande passo. O resgate todo ainda pode levar semanas.

As equipes de resgate agora tentam levar comida e remédios para ajudá-los a sobreviver. Além de mantimentos para quatro meses, os 13 poderão ter aulas de mergulho para que todos possam ser retirados de dentro do complexo de cavernas Tham Luang, no norte da Tailândia.

Amadorismo quase vira tragédia
Os 12 meninos, com idades de 12 a 14 anos, e seu técnico de futebol entraram na caverna em 23 de junho, após um treino de futebol, e não foram mais vistos, depois que a chuva fechou as saídas do complexo. Após dez dias de trabalhos, eles foram encontrados com vida em uma área elevada acima da água. As imagens divulgadas mostram o grupo todo junto, para manter a temperatura.

"Nesse caso o problema foi amadorismo, em época de chuvas não é permitido entrar em cavernas assim. Poderia causar uma tragédia. Acho que a idade ajudou, eles ficaram todos juntos e conseguiram evitar o principal problema, que é a hipotermia", afirma Akira Matsuda, instrutor de mergulho especializado em resgate.

Segundo o especialista, o fato das cavernas estarem inundadas por água de chuva prejudica o resgate porque torna a água dentro da caverna mais escura e turva. "Se você está num túnel inundado e perde a visibilidade, não sabe para onde ir. Muita gente entra em pânico nesse caso", explica Matsuda.

Água é armadilha e salvação
Para a espeleóloga Leda Zogbi, que já explorou cavernas em diversos pontos do Brasil e em outros países, a presença da água na caverna tailandesa é, ao mesmo tempo, um problema e uma solução para os aprisionados.

"A água fechou as saídas deles mas, sem água ali, todos já teriam morrido. Já se passou muito tempo desde que eles entraram. A grande diferença para as cavernas brasileiras é que as nossas são, na maioria, horizontais, têm pouca diferença de altura. Se a água impede a saída, depois de um dia, no máximo dois, ela desce. As deles são muito verticais, então a água fecha os acessos durante muito tempo", explicou.

Segundo Leda, existe a possibilidade de se perfurar a terra acima da caverna onde os meninos estão, mas pode ser um procedimento perigos. "Aquele ar que está ali tem uma pressão. Se você abrir um acesso, esse ar sai e a água pode subir e inundar a caverna, afogar todo mundo", afirma.
com informações do R7.com