segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Avião com Cesare Battisti chega à Itália

Italiano chegou a Roma nesta segunda (14) para cumprir prisão perpétua
Foto: REUTERS/Max Rossi/14.01.2018
O avião com o condenado a prisão perpétua Cesare Battisti, de 64 anos, chegou ao aeroporto Ciampino, em Roma, na Itália, por volta das 11h30 no horário local (8h30, no horário de Brasília). O italiano deixou a Bolívia na tarde deste domingo (13).

Battisti — foragido da Justiça brasileira desde dezembro do ano passado — foi preso na tarde do último sábado (12), depois de agentes bolivianos constatarem que ele não tinha documentos legais para a entrada no país. 

Sentenciado por quatro assassinatos cometidos na década de 1970 e considerado "terrorista", Battisti volta à Itália após décadas de fuga. O ministro do Interior da Bolívia, Carlos Romero, afirmou que Battisti foi expulso por ingresso ilegal no país.

Na Itália, Battisti ficará em cela com isolamento por seis meses e depois será transferido para a ala de segurança máxima, reservada a terroristas, do centro de detenção de Rebibbia, que fica perto de Roma.
Battisti desembarcou no aeroporto Ciampino por volta das 11h30 no horário local

Entenda o caso
No Brasil desde 2004, o italiano foi preso três anos depois. O governo da Itália pediu sua extradição, aceita pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Contudo, no último dia de seu mandato, em dezembro de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu que Battisti deveria ficar no Brasil, e o ato foi confirmado pela Suprema Corte.

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), mesmo antes de empossado, defendia a extradição de Battisti. Nos últimos dias do governo Michel Temer, o STF ratificou a transferência para a Itália, mas Battisti não foi encontrado após a decisão.
Vítimas
Condenado à prisão perpétua na Itália, Battisti foi sentenciado pelo assassinato de quatro pessoas, na década de 1970, quando integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo, um braço das Brigadas Vermelhas. Ele se diz inocente.

A primeira vítima foi Antonio Santoro, um marechal da polícia penitenciária de 52 anos. Ele vivia uma vida tranquila com a mulher e três filhos em Udine, mas, em 6 de junho de 1978, foi morto pelo grupo PAC (Proletários Armados pelo Comunismo). Segundo os investigadores, os assassinos o esperaram na saída da prisão e o balearam. A Justiça diz que Battisti e uma cúmplice foram os autores dos disparos, e os dois teriam trocado falsas carícias até o momento do atentado.

Em 16 de fevereiro de 1979, os PAC fizeram uma ação dupla, matando o joalheiro Pierluigi Torregiani, em Milão, e o açougueiro Lino Sabbadin, em Mestre, parte de Veneza que fica em terra firme. Na reivindicação, o grupo disse ter "colocado fim" à sua "esquálida existência". Tanto o joalheiro quanto o açougueiro haviam matado ladrões a tiros em tentativas de roubo, e os atentados teriam sido uma vingança. O açougueiro era militante do partido neofascista MSI (Movimento Social Italiano).
com informações de R7.com