terça-feira, 12 de março de 2019

Internação de Bolsonaro no Einstein custará R$ 400 mil

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A internação do presidente Jair Bolsonaro no Hospital Israelita Albert Einstein, na zona sul de São Paulo, nos meses janeiro e fevereiro deste ano, custará cerca de R$ 400 mil aos cofres públicos. A conta será paga com recursos da Presidência da República. Bolsonaro ficou 17 dias internado no hospital na capital paulista ao ser submetido, no dia 28 de janeiro, a uma cirurgia para reconstrução do trânsito intestinal.
A verba sairá dos recursos reservados para a Presidência em 2019, segundo o jornal “Folha de S. Paulo”. Ao jornal, o Planalto informou que “o pagamento será realizado nos próximos dias pelo Hospital das Forças Amadas (HFA), que receberá o ressarcimento orçamentário da Presidência da República”.
O Congresso aprovou um orçamento de R$ 333,3 milhões para despesas discricionárias da Presidência – que não são obrigatórias e podem ser feitas por decisão do governo. Os custos da internação no valor de R$ 400 mil não contemplam os honorários dos médicos que realizaram a cirurgia. O hospital não divulgou valores. De acordo com o Planalto, os especialistas, liderados pelo cirurgião Antônio Luiz Macedo, não cobraram pela operação nem pela consulta de revisão à qual Bolsonaro foi submetido em 27 de fevereiro.
Bolsonaro passou por três cirurgias desde o golpe de faca durante uma tentativa de assassinato durante a campanha eleitoral, em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro de 2018.
No começo do ano, o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, disse que o Planalto usaria o contrato que tem com o Hospital das Forças Armadas para cobrir as despesas. O convênio, mantido desde 1999, prevê a prestação de assistência médico-hospitalar a integrantes da Presidência. Porém, as despesas no Einstein ultrapassam o valor do contrato – R$ 240 mil anuais. 
O convênio dá cobertura de prestação de serviços de assistência médica ambulatorial, hospitalar e farmacêutica, incluindo exames e serviços auxiliares de diagnóstico e terapia. E também “internações clínico-cirúrgicas e em unidades de terapia intensiva (UTI)”.
Já a conta médica referente ao tratamento que Bolsonaro fez no ano passado após a facada não havia sido apresentada à Câmara dos Deputados até fevereiro deste ano. Na época do ataque, Bolsonaro era deputado federal. Assim, o pedido de ressarcimento deve ir para o Poder Legislativo.
Procurada, a Santa Casa de Juiz de Fora, que fez a cirurgia emergencial em Bolsonaro em setembro do ano passado, afirmou que o então candidato foi atendido pelo SUS.
Já o Hospital das Forças Armadas informou que “não teve nenhuma participação nos procedimentos realizados em 2018 e que não pode efetuar pagamentos pelo tratamento porque Bolsonaro ainda não era presidente”.


Outros presidentes

Questionado sobre custos de tratamentos de saúde de ex-presidentes, o governo disse não ter registros. Foram operados em mandatos: João Figueiredo, em 1982, que operou o coração em Cleveland (EUA), e Michel Temer, que desobstruiu a uretra em dezembro de 2017, em procedimento feito no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A cirurgia de Figueiredo não teve os registros encontrados. Já a de Temer foi coberta por um convênio particular, segundo informou a assessoria de imprensa do ex-presidente.
Já os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff (ambos do PT), que trataram câncer no Sírio-Libanês, não geraram custo para o governo. Lula foi internado pós-mandato e Dilma, antes de ter sido eleita.