sexta-feira, 26 de julho de 2019

Mais de 60 corpos de migrantes são resgatados após naufrágio na Líbia




A Líbia informou nesta sexta-feira (26) ter recuperado os corpos de 62 migrantes, após um naufrágio, na véspera, perto de Khoms, cidade situada 120 quilômetros a oeste de Trípoli, na pior tragédia registrada no Mar Mediterrâneo este ano, segundo a ONU.

"As unidades do Crescente Vermelho da Líbia conseguiram resgatar 62 corpos de imigrantes", disse Abdel Moneim Abu Sbeih, alto funcionário da organização, à AFP.

O número de migrantes a bordo da embarcação que naufragou na madrugada de quarta para quinta-feira é incerto, e as cifras variam conforme as fontes.

De acordo com a Organização Internacional de Migrações (OIM), 145 pessoas foram resgatadas e 110 estão desaparecidas ao longo da costa da Líbia, um país mergulhado desde 2011 no caos, com disputas de poder e milícias que exercem o poder.

Para a Marinha líbia, 134 pessoas foram resgatadas e 115 estão desaparecias. A ONG Médicos sem Fronteiras (MSF) na Líbia estimou, por sua vez, que cerca de 400 pessoas estariam a bordo da embarcação.

"Vamos prosseguir com as operações para recuperar os corpos trazidos pelo mar esta noite e na próxima", acrescentou Sbeih, confirmando que não era possível dar um número exato do total de vítimas do naufrágio.

As autoridades de Khoms, cidade situada 120 km a oeste de Trípoli e de onde partiu a embarcação, enfrentam dificuldades para sepultar os corpos recuperados, informou uma fonte da administração municipal da cidade.

Além dos "problemas relativos a procedimentos jurídicos", eles sofrem para "encontrar um lugar para o enterro das vítimas" deste novo drama, qualificado pela ONU como a pior tragédia do ano no Mar Mediterrâneo.

"Nós precisamos de rotas seguras e legais para os migrantes e os refugiados. Todo migrante em busca de uma vida melhor merece segurança e dignidade", escreveu no Twitter o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que se disse "horrorizado" com a tragédia.

O naufrágio é um "terrível lembrete" dos riscos assumidos pelos migrantes que querem deixar a Líbia rumo à Europa, afirmou nesta sexta a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini. "Cada vida perdida é demais", acrescentou.

Antes deste naufrágio, o Alto Comissariado para os Refugiados (Acnur) e a OIM haviam reportado ao menos 426 mortos desde o início do ano tentando atravessar o Mediterrâneo, que se tornou a via marítima mais mortal do mundo.

com informações de yahoonotícicas