quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

‘Há possibilidade’ de Luciano Huck concorrer à presidência pelo Cidadania, diz presidente do partido

Foto: Mauricio Santana/Getty Images
Ao que tudo indica, o apresentador de TV e empresário Luciano Huck será candidato à presidência em 2022. Nos bastidores, já realiza reuniões de articulação política e monta equipe. Nesta semana, participou do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Segundo interlocutores próximos do apresentador, o anúncio oficial e a filiação ainda não aconteceram por conta do contrato com a TV Globo.

As discussões de filiação estão avançadas com o Cidadania (novo nome do antigo PPS). Em conversa exclusiva com o Yahoo, o presidente do partido, Roberto Freire, não confirma a provável filiação de Huck, mas já fala sobre como o partido está se preparando para um “protagonismo eleitoral” em 2022. 


Ex-membro do Partido Comunista, Freire tece duras críticas ao “obscurantismo” do governo Bolsonaro e afirma que o Cidadania reúne a “vanguarda da política: liberais, sociais democratas e os verdes”. Roberto Freire já exerceu sete mandatos como deputado federal e foi senador, além de ministro da Cultura no governo Michel Temer. 
Yahoo – Como estão as negociações com o apresentador Luciano Huck? Já está certa a filiação dele ao partido?
Freire – Ainda não está certa. A conversa com ele começou em 2017. Teve um momento em que ele nos procurou. Fez uma avaliação, caso fosse se candidatar, e ele tinha o PPS como uma alternativa, porque não tinha nenhuma implicação com a Lava Jato. E esse diálogo continuou, em 2018 e 2019, nos aprofundamos, e a perspectiva da candidatura do Luciano se mostra hoje com maior consistência. 

Nada ainda decidido, ele ainda não é candidato. Mas há uma possibilidade e nós estamos trabalhando. Mas tem um dado que é importante, que ele não é apenas um bom apresentador de televisão. Ele realmente tem boa formação intelectual e acadêmica, tem uma boa visão de política e tem uma coisa muito importante, ele compreende bem a realidade brasileira, a ponto de ser destacada sua preocupação com as desigualdades e as injustiças da sociedade brasileira. 

O que é uma coisa que poucos estão falando. Há um setor liberal da sociedade que acha que o grande problema do país é o Estado, que é um ‘monstrengozinho’, mas não é o grande problema. O grande problema é ainda sermos uma sociedade de miseráveis, de oprimidos e de uma pobreza indigna. E Luciano tem uma visão muito clara disso. Ele tem muito a oferecer, não só sua popularidade.