quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Após sete anos, gêmeas que sobreviveram a incêndio precisam de ajuda para se manter

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O ano era 2014, e as gêmeas Kauane e Cassiane tinham dois anos de idade. A mãe, Ana da Silva, hoje com 41 anos, saiu de casa para trocar as sandálias que havia comprado para as meninas em uma loja perto de onde moravam, na Zona Oeste de Natal. Em um curto intervalo de tempo, a brincadeira de Gabriel, também filho dela, na época com 10 anos, com um fogo de artifício conhecido por "cobrinha", acabou acidentalmente incendiando a casa com as irmãs dentro.

“Eu cheguei e vi o Gabriel chorando na calçada. Ele me disse: ‘Mãe, a casa tá pegando fogo com Kauane e Cassiane' "

"Eu entrei e as vi brincando em meio ao fogo. Tirei Cassiane e voltei para buscar Kauane, mas o fogo estava muito mais alto. Aí apareceu um rapaz, um verdadeiro anjo e pegou minha filha”, relembra Ana.

Por ter passado mais tempo no fogo, Kauane ficou com as maiores sequelas. Cerca de 90% do corpo dela ficou queimado. A menina só conseguiu andar com os pés firmes no chão depois de passar por cirurgias. Os antebraços dela ficaram grudados à região do bíceps. Um deles só descolou após procedimento cirúrgico. Ela precisa passar por mais uma intervenção para descolar o outro.

Cassiane e Ana também sofreram queimaduras de terceiro grau. A menina tem as cicatrizes no rosto e a mãe, diversas marcas espalhadas pelo corpo, principalmente nos braços.

As irmãs ainda sofrem constantemente com o bullying. Já foram chamadas de “monstros”. Gabriel também carrega traumas psicológicos. Se sente culpado pelo o que aconteceu. O ex-padrasto dele, pai das meninas, chegou a afirmar que não colocaria comida em casa enquanto ele vivesse na residência.

Ana, então, se separou do pai das gêmeas e desde o começo do ano, paga o aluguel de uma casa no bairro de Felipe Camarão, onde vive com os filhos. A família sobrevive do benefício que Kauane recebe e tem contado com doações.

Um amigo decidiu então lutar pela casa da família. Fausto Calixto, pequeno empresário de 34 anos, conheceu o drama das meninas pouco tempo depois do incêndio e já ajudou mãe e filha de diversas formas. Ele levou a história para um portal dedicado a campanhas de solidariedade, através de vaquinhas virtuais.

“A meta era alcançar R$ 70 mil para comprar a casa. Agora, já está na casa dos R$ 230 mil. Vai dar pra mobiliar a casa toda e criar alguma fonte de renda para Ana”, relata o amigo.

Ana acredita, inclusive, que vai dar pra continuar o tratamento das meninas com as cirurgias ainda necessárias. O atendimento psicológico que Gabriel precisa também virá dessa vaquinha.

Apesar de já ter ultrapassado a meta, a vaquinha ainda segue porque as meninas precisam de pomadas, cremes hidratantes e também de protetor solar. Elas evitam sair de casa, pois a exposição ao sol acaba abrindo feridas na pele delas.

“Enquanto as doações seguem, eu estou correndo com Ana pra escolher uma boa casa, que atenda a necessidade dessa família. Lutamos muito por esse momento. E estamos felizes pelo sonho estar se realizando”, finaliza Fausto Calixto.

Com informações de: umarizalense