sábado, 25 de maio de 2019

Creche é acusada de dar rivotril para acalmar crianças

Centro Municipal de Educação Infantil Valter Peresi (Reprodução)
Foto: reprodução
Ao menos seis crianças matriculadas no Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei) Valter Peresi, em Votuporanga (SP), apresentaram, por mais de uma vez, sintomas de náuseas, vômitos e desmaios. Preocupada com o filho que já tinha passado várias vezes pela mesma situação, Keli Antoniolo levou o menino ao hospital, realizou um exame toxicológico, e recebeu a informação de que ele estava sendo medicado com clonazepan, popularmente conhecido pelo nome de Rivotril. As informações são do jornal Extra.
Apesar de o filho de Keli ter sido o único submetido ao exame toxicológico, todas as crianças apresentam exatamente os mesmos sintomas – o que indica que elas teriam ingerido a mesma substância. Os primeiros relatos ocorreram em 2016, mas foi apenas com o boletim de ocorrência, no fim do ano passado, que outras famílias tomaram conhecimento dos casos e decidiram se juntar.
Natália (nome fictício) passou quatro dias acompanhando o filho no hospital, em maio de 2017. Entretanto, os médicos não conseguiam descobrir o que tinha deixado a criança de apenas seis meses tão doente. Foram realizados exames de ultrassom, ecocardiograma e tomografia, mas nenhum deles identificou o que causava os vômitos e desmaios repentinos de Rafael (nome fictício). Então, sem respostas, Natália ouviu do médico: “Alguma coisa aconteceu na escola e não te contaram”.
A mãe voltou à creche onde Rafael estava matriculado, porém não obteve respostas dos funcionários da instituição. Era a quarta vez que o menino passava mal, sem explicação. Depois de mudá-lo de escola, ele nunca mais apresentou os sintomas.
Natália relata os momentos de desespero. “Quando peguei ele na escola, saí feito uma doida. Ele parecia que ia morrer. O bracinho dele estava caído, pendurado. Não sabia como socorrer ele. Já tinha acontecido quatro vezes, eu estava desesperada”.
A descoberta do que acontecia na creche aconteceu em novembro do ano passado, quando saiu o resultado do exame feito no filho de Keli que, após ver o filho passando mal por diversas vezes, resolveu investigar mais a fundo. Foi quando ficou comprovado, a partir de análises laboratoriais, que o bebê de poucos meses estava sendo medicado com Rivotril. A droga foi encontrada no sangue e na urina da criança.
Foi então que outras mães passaram a pedir exames para os seus filhos. “Em um mês aconteceu duas vezes com o meu bebê. Peguei meu filho desmaiado na creche, levei para casa, ele não respondeu, então nós corremos para a Santa Casa. Ele continuava sem reação. Achei que ele estivesse morto”, afirma Fernanda Silva Oliveira, de 33 anos, mãe de Nicolas - matriculado na mesma escola. Com apenas seis meses de vida, Nicolas passou dois dias internado na semi-UTI.
Bruna Nunes Carvalho, advogada responsável pelo caso, afirma: “Isso é um absurdo que poderia ter acabado com a vida de uma dessas crianças. Nós iremos acompanhar o caso até o final para garantir que ninguém saia impune dessa história e para que a justiça seja feita de forma que alivie a angústia dessas mães”.
Além de Fernanda, Keli e Natália, Bruna atende outros seis pais cujos filhos apresentaram os mesmos sintomas, na mesma creche.
A Prefeitura de Votuporanga abriu uma sindicância para apurar o ocorrido. Segundo nota publicada no Diário Oficial da cidade, “a medida é necessária por considerar a gravidade das denúncias e a necessidade de apuração de possível cometimento de falta funcional por servidores públicos”. 
A Prefeitura alega que os profissionais da educação sabem que nenhum medicamento deve ser administrado nas escolas municipais sem consentimento dos pais. A creche Valter Peresi, por sua vez, não se manifestou sobre o assunto.
Fernanda, porém, ressalta: “A Prefeitura abriu sindicância, só que a pessoa continua trabalhando e exercendo o mesmo cargo, cuidando das mesmas crianças”. Ela afirma que, juntamente com outros pais, vai acompanhar de perto o inquérito policial.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirma que o remédio administrado nas crianças é utilizado para controlar crises convulsivas, transtornos de ansiedade e de humor, síndromes psicóticas, além de outros tipos de tratamento.

com informações de yahoonotícias